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A aposta dos três grandes
por j_eagle
Os três grandes de Portugal estão todos eles a passar por situações diferentes...
O FC Porto poderá dizer-se que está ainda na ressaca da senda das vitórias europeias e de receitas avultadas devido a vendas de jogadores. Reforçou-se muito bem para esta época, mas para isso fez um esforço financeiro enorme e o peso salarial deve ser um pouco elevado, isto apesar de ter vindo a decair nos últimos anos, segundo relatórios apresentados pelo clube. No entanto com o pouco encaixe financeiro a nível de competições europeias, nota-se neste mês de Janeiro já alguma contenção em contratações, mas de boa verdade o Porto não necessita, talvez apenas um defesa. Penso que o FC Porto tem vindo a apostar no mercado sul-americano para valorizar jogadores, e isto é arriscado dado até que alguns já vieram a um preço elevado, mas havendo resultados desportivos positivos tudo se vai resolvendo, não havendo...
O SL Benfica, depois de voltar às vitórias internas, uma conquista da Taça e depois de uma Liga, tenta agora aparecer a nível internacional e consolidar a sua posição a nível interno. Para isso vieram primeiro dois jogadores de nome em finais de Agosto, Miccoli por empréstimo e Karagounis a custo zero. Tanto um como o outro vieram devido à Liga dos Campeões. O campeonato tem corrido parece-me ligeiramente melhor a nível interno que no ano anterior e nas competições europeias o Benfica tem estado a superar expectativas. E agora em Janeiro veio mais um nome internacional, Laurent Robert, melhor ainda, outro a custo zero e à conta da Champions League, pois claro. No Benfica o aparecer de resultados levou a que os riscos fossem ainda maiores, ainda que parece-me que riscos mais controlados que no Dragão, a margem de manobra é também mais pequena.
No caso do Sporting CP este atravessa uma fase mais delicada de remodelações, tanto a nível técnico como administrativo, isto em ano dos festejos do centenário. O Sporting será talvez um pouco a antítese neste momento dos outros dois grandes. As conquistas tardam em aparecer, este ano será muito difícil, e como sempre acontece (em Portugal) em alturas de crise os primeiros a sair são os treinadores e em último caso até os presidentes saem, como aconteceu no Sporting. O plantel é a meu ver anos-luz mais fraco que o dos seus rivais, apesar destes jogaram um não muito bom futebol. Paulo Bento foi o escolhido para levar o Sporting a bom porto, mas não havendo eleições imediatas leva a que Paulo Bento e o actual presidente Soares Franco sejam adiamentos de um problema. Penso que qualquer adepto sportinguista preferia eleições antecipadas. Paulo Bento tem tido muito mais margem de manobra dos seus adeptos do que Peseiro, muito por culpa desenfreada na aposta dos jovens da «cantera». Do menos mal terá pensado e bem Paulo Bento. Penso que como numa prova de Ralis em que antes do participante número um vem o zero, aqui com o Sporting é parecido. Nesta altura ainda não começou a sua restruturação desportiva e administrativa, terá de esperar pelas eleições, e aí um novo rumo será projectado, a bem do futebol do Sporting e do futebol em Portugal.
Concluindo esta análise, o futebol em Portugal, principalmente nestes três clubes, baseia-se em demasia nos sucessos e insucessos da equipa em que tudo ou quase tudo muda, quer quando se ganha, quer quando se perde. Será necessário incutir um espírito realmente empresarial, em que um projecto não esteja sujeito a alterações só porque se muda de treinador e porque não até de presidentes. Esses projectos é claro que são ou têm o intuito de ser projectos vencedores, mas são preparados para quando as coisas corre mal terem a capacidade de recuperação desejada. E como está na «moda» os treinadores portugueses fazerem estágios no estrangeiro, fica esta deixa de que os dirigentes deveriam também começar a fazê-lo e Inglaterra seria, penso, o local certo e o modelo a seguir.