outubro 07, 2005

Recordando ...

1 - 60 anos depois, festejou-se a queda de Hitler. Reuniram-se os aliados, celebraram os alinhados. A posição portuguesa - sempre que se fale da segunda guerra mundial é assim - saiu fragilizada: ninguém sabe por onde andámos, ninguém se atreve a dizer o que fizémos.

2 - Mas o que não passou despercebido a ninguém foi a decisão da comunicação social: vamos fazer de conta que Salazar não esteve no poder e que não era germanófilo. Façamos, ao fim e ao cabo, de conta que estivémos com os aliados, mas não referimos absolutamente nada de relevante.

3 - Essa omissão levou a que não referissem as célebres manifestações populares, em Lisboa e no Porto, de regozijo popular pela queda do II Reich. Mas, de facto, o povo saiu à rua, empunhando bandeiras dos EUA, da Grã-Bretanha, da França e ... do Sport Lisboa e Benfica. Sim, leram bem, do Sport Lisboa e Benfica. Em substituição de bandeiras soviéticas.

4 - Eram os tempos grandiosos do regime, que rapidamente tentou fazer passar o vermelho do Benfica a encarnado do regime. Em vão: como instituição democrática que era - dizem-nos que a única do Estado Novo -, o Benfica continuou a ser o clube "vermelho do povo", em que se reuniam membros da oposição do reviralho - encabeçados pelo Capitão Júlio Ribeiro da Costa - e do Partido Comunista Português - já na altura Octávio Pato fazia a ligação -.

5 - Por outro lado, no Sporting começava a pontificar Gois Mota, a alma parda da Legião Portuguesa e homem de confiança de Salazar. Primeiro a comandar o departamento de futebol - com a eficiência que se lhe reconhece...- e depois a presidir aos destinos da agremiação do Visconde. Entra-se, assim, na década de 50, em que o Benfica dava cartas na Europa do futebol - com a conquista da Taça Latina, o equivalente à Taça dos Campeões Europeus - e o Sporting dominava internamente.

6 - Nesses tempos os derbis eram de outra cepa. Do lado dos vermelhos estava o reviralho e demais oposição, no extremo oposto, a equipar de verde e branco, estavam os homens da legião e da PVDE/PIDE, com o beneplácito ministerial.

7 - Foram tempos de grande sofrimento para os benfiquistas. O campo das Amoreiras foi expropriado pelo Ministério das Obras Públicas, por quantia insignificante - e para que fosse edificado o magnânimo viaduto Duarte Pacheco -, remetendo o Benfica para um descampado no Campo Grande, encostado ao já grande Estádio José de Alvalade. O Sporting, à época, era proprietário de três campos de futebol e diversas instalções desportivas. Ao Benfica restava pouco mais do que um galinheiro.

8 - Hoje só se joga futebol - aparentemente. No entanto, Sporting continua a ser o clube da elite e o Benfica o clube do povo - classes bem ilustradas pelos seus Presidentes.

in http://ndrangheta.blogspot.com/

Publicado por j_eagle em outubro 7, 2005 10:29 AM | TrackBack
Comentários

Nada disso, o Benfica é q era foi e sempre será levado ao colo.

J_Eagle, pede a alguém do MVermelho para postar este texto a ver se os azules abrem a pestana.

Afixado por: red_label em outubro 12, 2005 12:47 PM
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